Viner – um produtor com um gosto apurado pela música de raiz: do jungle clássico old-school ao bass pulsante, do techno do gueto de Detroit ao oriental árabe misturado com ritmos complexos de Muslimgauze, do electro industrial com seu som tradicional de bateria eletrônica ao samplodelica com vozes humanas, fragmentos de orações ou ritmos antigos. 

Diferentemente do já mencionado Bryn Jones (Muslimgauze), Viner não expressa suas visões sociais e políticas através da música, embora utilize a atualidade como estímulo para suas declarações musicais. Seu single de 1954 foi uma resposta às críticas direcionadas aos fãs da música árabe, que acreditam que o orientalismo é necessariamente um atributo do radicalismo. No verão de 2020, Viner lançou de forma independente um novo trabalho com o qual se reinventou e se expressou sobre o que está acontecendo na Rússia atualmente e há 20 ou 30 anos. 

Nos dois próximos lançamentos, é como se Viner estivesse respondendo à desaceleração total com um ritmo breakcore acelerado e footwork quebrado. Seu som se torna cada vez mais confiante e acompanha a tendência crescente dos ritmos quebrados. 

Durante sua trajetória musical, Viner foi cofundador do selo e comunidade Get Busy, berço da música eletrônica em Kazan, e integrou a equipe do principal clube de techno da Rússia, o Mutabor, e do festival de música experimental Fields.